Os Jornais e o Cenário Improvável

28/09/2009

O blog do Clay Shirky, eterna fonte de inspiração e cópia para este blog, tem um post sobre a situação dos jornais:

Round and round this goes, with the people committed to saving newspapers demanding to know “If the old model is broken, what will work in its place?” To which the answer is: Nothing. Nothing will work. There is no general model for newspapers to replace the one the internet just broke.

With the old economics destroyed, organizational forms perfected for industrial production have to be replaced with structures optimized for digital data. It makes increasingly less sense even to talk about a publishing industry, because the core problem publishing solves — the incredible difficulty, complexity, and expense of making something available to the public — has stopped being a problem.

Eu escrevi basicamente a mesma coisa, mas vale a pena ler o artigo todo aqui.


Links da Semana

04/09/2009
  • Começando com uma notícia já comentada no post anterior: O novo livro do Chris Anderson sobre o modelo econômico “Freemium” chegou no Brasil. A Folha publicou uma entrevista (que não está no link!) com o cara no último dia 30, se alguém tiver aí, eu quero.
  • O Chris Anderson é uma das cabeças por trás da Wired, que também publicou recentemente um ótimo artigo sobre tecnologias revolucionárias que são piores que suas predecessoras. Entram aí os netbooks, que são basicamente PCs capados, ou o MP3 e sua qualidade de som vagabunda, ou o maior exemplo de todos, o Nintendo Wii, tecnicamente uma geração atrás dos seus concorrentes e campeão absoluto de vendas. Quem trabalha com tecnologia conhece o adágio de que o hardware avança muito mais rapidamente do que o software, e o resultado é esse cenáro: hoje o foco é na interface, na usabilidade e na praticidade, e não na força bruta computacional.
  • Já que falamos de mp3, sabiam que o Partido Pirata tem presença oficial no país? Só falta o cadastro no TRE…
  • Com certeza, muita gente na indústria está arrancando os cabelos com a notícia acima, já que os piratas vão destruir completamente a mídia tradicional. Veja o cinema, por exemplo, um dos principais alvos dos inescrupulosos vilões da maré digital. Em 2009, em plena era do download, nossos nobres heróis alcançaram bilheteria recorde. Pelo terceiro ano CONSECUTIVO. Tadinho deles…
  • Dá pra entender essa molecada? A maioria dos adolescentes, além de baixar coisas divertidas de graça e exigir hardware de menor potência, também acha o Twitter muito chato. De repente, eu me sinto velho.
  • O que será que eles querem, afinal? Há quem diga que seja mais publicidade em jogos de videogame. Eu tenho lá minhas dúvidas se isso funciona.
  • E falando em coisas que não funcionam, será que o modelo de assessoria de imprensa sobreviverá ao Capitalismo Punk? Eu tenho lá minhas opiniões, que ficam para um futuro post. Mas com certeza o que eu penso bate muito pouco com o que outros especialistas andam aventando.

Rupert Murdoch vs Realidade, round CDLXXVII

03/09/2009

Rupert Murdoch não é um idiota. Ele é dono de um dos maiores conglomerados de mídia do planeta, que inclui centenas de jornais ao redor do planeta e a Fox. É por essas e outras que, quando ele fala, as pessoas escutam.

Recentemente, ele declarou por aí que todos os seus empreendimentos de mídia vão começar a cobrar pelo conteúdo. Indo na contramão da tecnologia, Murdoch espera que o simples peso do seu império tenha inércia o suficiente para desviar os rumos da indústria de mídia. Se ele vai conseguir ou não, é discutível. Mas eu apostaria meu dinheiro no “não”.

Só que não me interessa (agora) os motivos pelo qual ele provavelmente vai dar com os burros n’água. É interessante pensar o PORQUÊ da celeuma de Murdoch com o modelo da Internet. Continue lendo »


Chris Anderson vs Malcolm Gladwell

20/08/2009

Anderson acabou de lançar o seu livro sobre a economia free – ou, como ganhar dinheiro sem cobrar (por quase) nada.

Gladwell, por sua vez, fez um review do livro focado principalmente no futuro do jornalismo. Anderson rebateu.

Ambos concordam que, em um futuro onde o conteúdo de qualidade é disponibilizado “free”, o jornalismo tradicional está morto. Um acha isso uma coisa boa e vê oportunidadese novas carreiras, o outro vê fogo e enxofre.

Adivinha de que lado eu estou.


Midiassauros também querem iPhone

17/08/2009

A Info quer testar um iPhone 3G S. A Apple, numa atitude muito Apple de sua parte, não mandou o aparelho.

A Info apelou para sua base de leitores:

Você, dono de iPhone 3GS, gostaria de ver um teste completo com o aparelho da Apple e outros celulares touch screen de última geração nas páginas da revista INFO de setembro e do INFO Online? Então, que tal nos emprestar o seu?

Hilarity ensues.

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O Futuro do Jornalismo, Director’s Cut

06/08/2009

Se a civilização fosse uma pessoa, Adam Smith seria Sigmund Freud.

Seu nobre jornalista

Tudo – TUDO – na nossa sociedade é definido não pelo que temos, mas pelo que não temos. Os economistas chamam isso de Lei da Escassez: temos infinitos desejos humanos para um número finito de recursos, então criamos esse treco chamado civilização, que é uma forma de organizar as coisas onde basicamente definimos as pessoas de acordo com qual o parco recurso ela foi responsabilizada por administrar – da sua própria força de trabalho até preciosos recursos naturais.

Chamamos isso de “profissões”. Um profissional é uma pessoa responsabilizada por administrar um recurso X de modo a gerar a maior riqueza (riqueza, não dinheiro) possível.

Pegue a informação, por exemplo. Desde que inventou a escrita, o homem já sacou que a habilidade de gerar, acumular e transmitir informação é um recurso essencial para o progresso e para a sobrevivência. É um recurso importante, portanto precisamos de uma classe especial de pessoas responsável por administrar o dito cujo.

Os primeiros administradores de informação foram os escribas da antiguidade, que além do administrativo, também cuidavam das funções religiosas (e na época, magia e linguagem eram praticamente a mesma coisa). É a classe que  depois se transformou nos monges copistas do ocidente. Naqueles tempos bicudos, a quantidade de recursos necessária para gerar, acumular e transmitir informação era muito grande, então limitavam-se os best-sellers a pouco mais do que a palavra final da sua divindade favorita. Aí veio Gutenberg e criou um método mais fácil de gerar, acumular e transmitir informação, o que por sua vez causou um salto tremendo nas artes, na ciência e na sociedade.

Não antes, é claro, da igreja subir nas tamancas.

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Mais sobre futuro do Jornalismo

06/08/2009

Enquanto eu termino o maldito post monstro.

Desta vez foi a Reuters:

Our news ecosystem is evolving and learning how it can be open, diverse, inclusive and effective. With all the new tools and capabilities we should be entering a new golden age of journalism – call it journalism 3.0.

Ah sim. Nada a ver com o assunto, mas: www.vivosofilme.com. Coisa do Rickota.