Parker Lewis Can’t Lose – Can I has remake?

30/09/2010

Recentemente, comprei na gringa as duas primeiras temporadas de Parker Lewis Can’t Lose – sitcom que eu assistia na Record quando tinha 14-15 anos e da qual tinha poucas (mas ótimas) lembranças. O tipo de coisa que a gente compra sabendo que vai se decepcionar, e o fiz movido mais pela curiosidade de saber o que me chamou a atenção na época do que pela expectativa de qualidade da série em si.

E se por um lado a série realmente é decepcionante – atuações nem sempre de primeira, roteiros que terminam num Deus Ex Machina mais vezes do que qualquer um gostaria – por outro ela é absolutamente sensacional. O surrealismo, coisa que mais me marcou quando moleque, beira o desconcertante, os efeitos sonoros são impecáveis e o uso da câmera é uma das coisas mais bizarras e inovadoras que já foi feita na TV – milhões de anos a frente do que qualquer show atualmente em produção.

E – aqui a parte que interessa mais – o tema. Parker Lewis é, antes de tudo, uma série sobre jovens usando a tecnologia para escrachar com os poderes vigentes dos adultos. Parker e sua gangue se livram das enrascadas usando tecnologias de comunicação que, no período da série, basicamente se resumem a VCR e rádio de curto alcance (e relógios Swatch). Envelheceu mal, porque o mote da série envelheceu muito depressa.

Parker Lewis precisa de um remake, uma modernização. Imagine uma série que ensinasse a molecada como tapear os professores usando um celular com Bluetooth e o Windows Movie Maker. A riqueza de opções para os roteiristas, equipando os personagens com o que existe de mais moderno em tecnologias pessoais de comunicação. O bordão da série seria “Synchronize iPhones!“?

Imagine os danos à civilização que uma série dessas – esperta, carismática, high-end – faria na TV aberta. Ou melhor, no Youtube.

(Ah sim – Parker Lewis foi um dos primeiros programas de TV a ganhar apoio entusiástico na Internet – em BBSs e mailing lists, antes do advento da WWW que conhecemos hoje. Tudo a ver.)

#want

PS – Hoje liberou em umas 50 cidades do Brasil o Google Street View, serviço sensacional que eu me matei de usar nas vezes que fui para os EUA. Isso significa que você deve clicar aqui imediatamente. Aumente o som, pegue a pipoca, enjoy!


Links da Semana

04/09/2009
  • Começando com uma notícia já comentada no post anterior: O novo livro do Chris Anderson sobre o modelo econômico “Freemium” chegou no Brasil. A Folha publicou uma entrevista (que não está no link!) com o cara no último dia 30, se alguém tiver aí, eu quero.
  • O Chris Anderson é uma das cabeças por trás da Wired, que também publicou recentemente um ótimo artigo sobre tecnologias revolucionárias que são piores que suas predecessoras. Entram aí os netbooks, que são basicamente PCs capados, ou o MP3 e sua qualidade de som vagabunda, ou o maior exemplo de todos, o Nintendo Wii, tecnicamente uma geração atrás dos seus concorrentes e campeão absoluto de vendas. Quem trabalha com tecnologia conhece o adágio de que o hardware avança muito mais rapidamente do que o software, e o resultado é esse cenáro: hoje o foco é na interface, na usabilidade e na praticidade, e não na força bruta computacional.
  • Já que falamos de mp3, sabiam que o Partido Pirata tem presença oficial no país? Só falta o cadastro no TRE…
  • Com certeza, muita gente na indústria está arrancando os cabelos com a notícia acima, já que os piratas vão destruir completamente a mídia tradicional. Veja o cinema, por exemplo, um dos principais alvos dos inescrupulosos vilões da maré digital. Em 2009, em plena era do download, nossos nobres heróis alcançaram bilheteria recorde. Pelo terceiro ano CONSECUTIVO. Tadinho deles…
  • Dá pra entender essa molecada? A maioria dos adolescentes, além de baixar coisas divertidas de graça e exigir hardware de menor potência, também acha o Twitter muito chato. De repente, eu me sinto velho.
  • O que será que eles querem, afinal? Há quem diga que seja mais publicidade em jogos de videogame. Eu tenho lá minhas dúvidas se isso funciona.
  • E falando em coisas que não funcionam, será que o modelo de assessoria de imprensa sobreviverá ao Capitalismo Punk? Eu tenho lá minhas opiniões, que ficam para um futuro post. Mas com certeza o que eu penso bate muito pouco com o que outros especialistas andam aventando.

Links da Semana

27/08/2009

Eu estou muito ocupado!

Vá ler os links. Muitos deles merecem comentários, que vão ficar para depois.

  • A segunda parte dos possíveis modelos econômicos imaginados pelo Jamais Cascio merece leitura. Aliás, o site dele é muito interessante.
  • Interessante também notar que a tecnologia tornou mais difícil escolher o nome dos bebês. Todas as boas URLs estão tomadas!
  • Mas se você acha que não ter a URL certa para seu pimpolho é apenas o início dos seus problemas, você tem razão. Uma escola nos EUA (sempre lá) resolveu dar um basta na situação e proibir seus alunos de fazerem sexo pelo celular. Como todos nós sabemos, uma proibição por escrito é a maneira mais rápida e segura de controlar o comportamento da molecada, certo?
  • Veja por exemplo, o Pirate Bay. Funcionou com eles, né? Claro que sim. Quer dizer, eles não ousariam desafiar a indústria musical de novo com toda aquela ironia e deboche peculiares. Não senhor.
  • Então, Xuxa, você já sabe o que fazer! Sua filha pode ser analfabeta, mas isso não deve ter nada a ver com o fato de você não ter a mínima educação! Manda um bilhete pra mãe do Twitter!!!
  • Ou então, a Xuxa poderia ver esse vídeo – se ela souber ler (e em inglês), é claro. Cortesia do Rog.

o último link merece uma atenção especial e menos deboche: Jesús Martín-Barbero fala sobre igualdade na web. Eu destaco esse pedacinho aqui:

Não sei para onde vamos, mas em muito poucos anos a televisão não terá nada a ver com o que temos hoje. A televisão por programação horária é herdeira do rádio, que foi o primeiro meio que começou a nos organizar a vida cotidiana. Na Idade Média, o campanário era que dizia qual era a hora de levantar, de comer, de trabalhar, de dormir. A rádio foi isso.

A rádio nos foi pautando a vida cotidiana. O noticiário, a radionovela, os espaços de publicidade… Essa relação que os meios tiveram com a vida cotidiana, organizada em função do tempo, a manhã, a tarde, a noite, o fim de semana, as férias, isso vai acabar. Teremos uma oferta de conteúdos. A internet vai reconfigurar a TV imitadora da rádio, a rádio imitadora da imprensa escrita… Creio que vamos para uma mudança muito profunda, porque o que entra em crise é o papel de organização da temporalidade.


Links: Possíveis Futuros para a Economia e a Falácia dos e-Books

23/08/2009

Uma viagem inesperada fodeu comigo. O texto de hoje fica para a semana (ou o mês?) que vem. Enquanto isso:

Jamais Cascio elabora sobre os possíveis modelos econômicos do futuro. Ele aponta três modelos possíveis, embora eu acho que existe uma etapa intermediária antes de que a gente chegue em qualquer um deles.

Eric Novello analisa o mercado de e-books, que toca no velho ponto do digital como transposição de mídia. Ainda tem muita gente que confunde a função social do livro/filme/música/whatever com o tipo de suporte, e quanto mais a gente bater nessa tecla, menos cagadas as editoras vão fazer na hora de finalmente lançar o formato no país.


Na última edição do Capitalismo Punk…

29/07/2009

Mais de um mês sem atualizar, e isso que era o mês de férias, aquele período do ano em que eu trabalho em coisas que não dão dinheiro.

E foi um mês muito interessante, milhões de coisas aconteceram que mereciam comentários, e eu me sentia meio Douglas Adams, apreciando o “vooosh” que os deadlines faziam quando passavam por mim. Então, vai um breve resumo do mês antes de voltar a postar de forma minimamente decente:


Shift Happens

20/06/2009

Wikipedia e a desinformação

07/05/2009

Era algo totalmente inventado, que não foi dito por Maurice Jarre, nem por ninguém. Os experimentos de ciência social sempre têm questões éticas, pelo fato de as pessoas serem usadas como cobaias. Não queria manchar ou distorcer a reputação de ninguém e, por isso, decidi divulgar uma frase que não afetaria a grandiosidade de Jarre”

Maluco inventa uma bobagem qualquer, coloca na Wikipedia, e todos os jornais do mundo copiam.  Depois querem saber pq os jornais estão acabando.