Teatro de sombras

Isso não é um post, é só uma enxurrada de pensamentos que estou escrevendo com muita pressa e nenhuma coerência.

Isso aqui: 

Anonymous international bloggers have been writing in Chinese about a “Jasmine revolution” in China, calling on Chinese people to show their discontent for local corruption by going to places that are normally crowded and walking around, not doing anything special. The Chinese authorities freaked out and blocked these sites, and most people in China have never heard of them — but because people keep turning up and walking around in the normally crowded places, the politburo is convinced that the Jasmine Revolution is in full swing.

Eu tenho acompanhado com bastante interesse as desventuras dos Anonynmous e outras manifestações políticas ou semipolíticas na rede, mas essa idéia aí, isso é o pulo do gato. Information war at its best.

A primeira coisa que me veio na cabeça foi The Invisibles, do Grant Morrison: vai desde toda aquela idéia dos memes, de coisas que de tanto existir no imaginário vazam para o mundo real, quanto a questão da revolução em um mundo onde tudo está conectado. Você é parte da revolução, sabendo ou não, querendo ou não. A revolução e a contra-revolução (e a contra-contra-revolução) são a mesma coisa.

Depois vem, obviamente, George Orwell, que o governo chinês tenta emular tão bem. A China quer reescrever o presente alterando o passado em tempo real. Funciona desde que você tenha controle total dos meios de difusão – coisa que o governo chinês efetivamente tem – e controle dos meios de produção – coisa que o governo chinês não tem e não vai ter.

Em terceiro lugar, o Shadow Play, o Teatro de Sombras chinês, uma arte tão milenar quanto o próprio país, definida pela sutileza.

Quando você tem um sistema obcecado com o monitoramento das informações, o que você faz? Insere informações erradas no sistema. Os Romanos já faziam isso. A beleza está em usar voltar a paranóia contra ela mesma, fazendo com que os mais inocentes atos tornem-se atos de revolução. Você sai pra ir até a padaria e derruba o governo sem querer.

Parece exagero, mas são BILHÕES de chineses fazendo coisas mundanas o tempo todo e uns poucos milhares de militares perdidos em um mundo que identifica a censura como um defeito e a contorna.

Não vejo saída. Resta acompanhar com cuidado pelas próximas semanas.

Eu diria “mais depois”, mas não vou ter tempo de escrever aqui pelos meses vindouros.

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