Precisamos de mais bebidas?

Um tempinho atrás, a AT&T decidiu-se, sabe-se lá pr qual razão (mas que não são difícies de imaginar…), bloquear o acesso de seus usuários de banda larga para o site 4chan. Em termos internéticos, é uma atitude similar a pular no trilho de um trem que está chegando em alta velocidade para fazer uma baleia branca para o maquinista. Porque 4chan é um dos lares do pseudogrupo web de anarcopunk coletivamente (?) conhecido como Anonymous. Eles deram dor de cabeça para a Igreja da Cientologia, gastrite em Rupert Murdoch e, literalmente, fizeram a Associação dos Epiléticos ter um treco.

Alguém dentro da AT&T deve ter apontado lá dentro que cutucar o 4chan era pedir para alguém implodir toda a infraestrutura web dos EUA e garantia de moleques mascarados jogando tomates podres nos carros dos funcionários da empresa, e logo logo a empresa voltou atrás com um “ops, foi mail aí, gente“.

A citação famosa de John Gilmore, de que “A Rede identifica a censura como uma falha e navega ao redor dela” virou “A rede identifica a censura como uma falha e desce o cacete nela até ela ir embora”. O caso mais famoso do Brasil foi o Cicarelligate, que não deu em nada, a moça continua aí na mídia mesmo sem dar para alguém relevante nesses últimos tempos.

Esses dias, o blog Resenha em 6 fez um post falando mal dum tal boteco São Bento. Falaram mal. Nego apareceu nos comentários dizendo ser da gerência do boteco e que ia processar geral. Comentários explodiram. Gerência do bar nega ser a gerência do bar que ameaçou processar geral, mas manda uma nota judicial mesmo assim. O Resenha 6 tira o post do ar. Comentários explodem de novo. Todo mundo odeia o bar. Blogs fazem protestos.

E a história vai morrer aí.

Estamos muito organizados ainda. Os navegantes brasileiros ainda não aprenderam a serem invisíveis, a serem anônimos. Mais ainda, revoltar-se dá um trabalho desgraçado, e brasileiro não é muito chegado em trabalho, ainda mais quando não tem dinheiro à vista. No máximo, uma revolução de sofá aqui e outra ali, e chega.

A anarquia é parte essencial da rede, é um dos pilares que define a world wide web. Está incrustrada diretamente nos genes binários dos protocolos que fazem com que você possa ler este texto – e que eu possa publicá-lo. Em todo o planeta as pessoas estão acordando para esse novo modelo de organização e redefinindo as regras do ativismo, da hierarquia e das liberdades pessoais.

Do que nós brasileiros precisamos para não ficar para trás em mais essa revolução? De acordo com o boteco São Bento, não é de mais cachaça.

Uma resposta para Precisamos de mais bebidas?

  1. runmotherfuckerrun disse:

    blog bom. gostei.
    pedro

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