Midiassauros também querem iPhone

A Info quer testar um iPhone 3G S. A Apple, numa atitude muito Apple de sua parte, não mandou o aparelho.

A Info apelou para sua base de leitores:

Você, dono de iPhone 3GS, gostaria de ver um teste completo com o aparelho da Apple e outros celulares touch screen de última geração nas páginas da revista INFO de setembro e do INFO Online? Então, que tal nos emprestar o seu?

Hilarity ensues.

Vamos listar o que NÃO está errado:

Não é errado não ter o aparelho. Quem acha que uma revista como a Info deveria comprar todos os itens que testa não está conectado com a realidade. Empresas interessadas em conseguir um espacinho na revista irão com muito gosto emprestar (mas raramente “dar de presente”) a bugiganga.

Não é errado não conseguir o aparelho pelas vias “normais”. Não diz nada sobre a qualidade do trabalho dos caras. A Apple não tá nem aí. São uma dessas empresas – como o Google – que estão além do PR. Eles sabem que vão vender praticamente o mesmo número de aparelhos, independente do teste da Info.

Não é errado QUERER testar o aparelho mesmo assim. É modinha, e você, como bom Midiassauro, precisa correr atrás das modinhas, e não na frente delas.

Não é errado tentar conseguir o aparelho por meios “não convencionais” – pedir para trazer de fora, pegar emprestado do tio do amigo do vizinho do cunhado do cachorro da irmã, etc. Mas nessas coisas, a gente tenta não dar muita bandeira, certo?

Então, o que é que deu errado? O que causou as reações exasperadas dos leitores?

É errado achar que é “da turma” só porque está na Internet. A Info não é “um de nós”. Eles são eles, nós somos nós. Eles estão apoiados nas bases que o Capitalismo Punk corrói, inadvertidamente ou não. É o mesmo erro do famigerado “blog corporativo”. Não é ter um blog, ou um site, ou um twitter, que faz de você um da turma. Essas coisas todas são HTML for dummies. O que separa os Midiassaurios dos Midiassímios é o conteúdo, e não a plataforma. E escrever como se fosse um blog, curiosamente, não faz de você um blog. Tem que ter contexto.

E tem mais: Se você defende a supremacia da mídia impressa e dos jornalistas com diploma para apurar informações com velocidade e precisão, então você não sai mendigando na Internet,o que é praticamente um atestado de derrota. E é isso que seus leitores vão perceber: uma publicação derrotada, viciada em wikipedia e cheirando a Google. Se você depende da comunidade online e de seu modelo Rauliano de é-tudo-free (incluso iPhones), então  eu não tenho motivos para pagar pelo seu conteúdo.

Revistas de tecnologia. Eu gosto delas, eu dependo delas (até certo ponto), mas elas são hoje um atavismo. Especialmente uma revista de tecnologia que não entende o básico das dinâmicas virutais.

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