A Insustentável leveza do Punk

Eu não ia tocar nesses assuntos agora, mas como eu gosto de livros e essa coisa toda pode muito bem ter um dedo do Marcelo Torres, vamos lá.

Sustentabilidade. Palavra engraçada.

A idéia por trás do conceito é de que as empresas podem crescer e ao mesmo tempo melhorar – ou pelo menos não zoar muito – com o planeta. o “planeta” não são só as flores, os coelhinhos e as árvores. O planeta é todo o ecossistema biológico, social e econômico. Lindo, não?

O problema? Olhando pelo lado puramente pragmático, a economia não cresce. Ela incha. Como uma balão.

O crescimento da economia está diretamente ligado à produção de bebês pobres. Só existe maior troca de bens e serviços se existem mais pessoas necessitadas de bens e serviços. Países desenvolvidos se desenvolvem terceirizando sua produção de pobres para o terceiro mundo, levando à dobradinha mágica de crescimento econômico e deflação demográfica. As empresas que mais crescem hoje crescem a passos largos na América Latina, na Índia e na China, onde existe carência de sobra a ser suprida por preços de ocasião.

Cada pessoa a mais no mundo, insustentávelmente, vai demandar mais recursos do mesmo, não importa o quão “sustentável” sejam os processos produtivos que tornam a sua subsistência possível. A maneira mais segura de assegurar o manejo do status quo atual dos recursos naturais é com crescimento populacional mundial TOTAL igual a zero. Ou menos.

Quando esse dia chegar, todos os modelos econômicos onde a nossa civilização se apóia páram de funcionar.

Imediatamente.

Vai faltar ar para encher o balão econômico.

Essa é uma questão que raramente vem à pauta nas discussões sobre negócios sustentáveis. Um negócio pode ter um footprint ecológico muito baixo, pode repassar parte dos lucros para projetos de apoio a comunidades, pode engajar sua cadeia de fornecimento na luta pelo planeta – Yay! Mas, grosso modo, seu negócio só vai ser 100% sustentável quando você conseguir vender mais para menos pessoas, ponto onde geralmente o motor engasga.

E aí você pergunta: o que o Capitalismo Punk tem a ver com isso?

Muita coisa, na verdade. Um dos fatores que tornam o Capitalismo Punk possível é a democratização dos meios de produção. Marx definia o capitalismo como a eterna luta entre quem domina os meios de produção e quem vende sua força de trabalho para esta minoria privilegiada. Marx não via o mundo de hoje, onde dominar os meios de produção está cada vez mais fácil.

O Neo-Corporativismo, por sua vez, se baseia totalmente em buscar a maior economia de escala. Empresas são grandes porque grandes empresas alcançam maior economia de escala, embora enfrentem o dilema institucional. Hoje, as empresas estão descobrindo que a melhor maneira de crescer é diminuir – terceirizar, de preferência para todos aqueles pobres que seu país “comprou” na Índia e na China – a maior parte do trabalho, e concentrar-se naquilo que é seu foco de negócios. Uma grande corporação sai soltando corporações-filhas pelo terceiro mundo, empresas menores que, numa média geral, geram mais empregos do que as grandes por conta da descentralização e da superespecialização. A pressão econômica por mais competitividade leva a mais dinheiro trocando de mãos e também a um apelo maior pela educação.

Na economia punk-capitalista, a briga pelo capital é em grande parte substituída pela briga pela informação. E gente com informação pensa um pouquinho mais antes de ter 14 filhos. Já é um começo.

(é claro, eu ainda não expliquei exatamente o que quero dizer com Capitalismo Punk. O artigo está quase pronto. Quiça será o próximo da lista)

2 respostas para A Insustentável leveza do Punk

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