Horkutombe

Semana passada o Google teve uma crise de soluços, e, sendo eu o “técnico” de plantão no escritório, apesar de não ser essa a minha função oficial, o diálogo quie se seguiu foi mais ou menos assim:

ALGUÉM: Daniloooo, a Internet está fora do ar de novo! (êê, NET Virtua…) 

EU: Não é a Internet, é só o Google.

ALGUÉM: Google, Internet, não é tudo igual?

E… bom, É.

Tem um velho adágio da Internet que diz que a informação quer ser livre. Não é lá muito verdade por uma variedade de razões, mas para os propósitos deste post, a questão é essa aqui: a informação não quer ser livre. Ela quer ser classificada, catalogada, organizada e rotulada corretamente, pois de outra forma ela seria inútil. E aí entra outro ponto onde eu não concordo com o senso comum da Internet, que o fator definitivo da web 2.0 é a profileração a interconectividade e interatividade do conteúdo web. A capacidade de crescimento do conteúdo web é mais definida pela nossa capacidade de catalogar a informação do que de pela facilidade do processo de inclusão das informações no sistema. A informação presente no sistema, mas fora dos mecanismos de classificação (tipo, este blog na sua versão Beta) tem valor informacional próximo a ZERO, já que o acesso a informação é limitado.

Eu tinha uma web page pessoal em 1996. As mudanças nas ferramentas de inclusão de conteúdo web desde então estão mais na interface – dar uma cara bonita e user-friendly à programação html. É para isso que servem os blogs. Mas as ferramentas são mais ou menos as mesmas.

Hoje estamos nivelados mais pela capacidade de indexação do que pelo crescimento do número de bits de informações disponíveis. A evidência é que quando o Google tem um ataque epilético, o mundo pára. Uma série de atividades do meu dia-a-dia profissional DEPENDE da capacidade de busca do Google. Eu perdi a conta de quantas vezes usei o bichinho pra escrever ESTE post.

E aí a gente remete novamente ao post anterior, e ao outro sobre desinformação. Confiamos implicitamente no Pai Google, e para os reles mortais, quebra o galho. Mas quando a imprensa, nosso mecanismo anterior de validação e catalogação de informações, começa a depender do Google, não estamos jogando todas as laranjas no mesmo cesto? Quem efetivamente gera informação nova e de qualidade? O que será da civilização quando a Horkutombe, o Apocalipse Google, chegar?

Continua nos próximos capítulos…

Uma resposta para Horkutombe

  1. […] o conhecimento? Em parte sim, mas também dissemina e organiza o conhecimento. O volume de informação que trafega pela net, mesmo considerando o volume de […]

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