Horkutombe, o Retorno

15/05/2009

Falei outro dia aqui sobre a Horkutombe, ou o Apocalipse Google. Agora que a crise de soluços do Google virou mundial a Revista Wired cavou algumas informações sobre o comportamento do tráfego na Internet quando o Google sai do ar

As pessoas simplesmente não conseguem se achar. O abismo olha de volta para você, e não é nada bonito.

Tenho idéias sobre isso. Eventualmente elas aparecerão aqui. BEM eventualmente, pelo jeito. :/


O Papa não é mais Pop

12/05/2009

O Para Bento Natzinger Ratzinger não está muito contente com esse papo todo de Internet. Faz sentido. Se eu tivesse sido membro da Juventude Hitlerista, e  Chefe da Inquisição, também não iria querer que as pessoas andassem por aí se informando das coisas. E, se você vende ignorância, a Internet é o pior tipo de concorrente que você pode ter: o tipo que torna o seu produto inútil.

Mas a bronca do papa, pelo menos na versão oficial, é outra. Diz o Mal Velhinho:

“O uso ilimitado de sites, por meio dos quais as pessoas têm fácil acesso a indiscriminadas fontes de informações pode chegar a ser um instrumento de crescente fragmentação. O conhecimento vem destruído, e a complexa habilidade de crítica e discernimento das tradições acadêmicas e éticas é, às vezes, descuidada”

Então, como diria um Grande Inquisidor, vamos por partes: a Internet é ruim porquê, além de me deixar com cara de bobo:

  • Fragmenta o conhecimento
  • Destrói a habilidade crítica
  • Não dá a mínima para a tradição acadêmica
  • É desprovida de ética

Fragmenta o conhecimento? Em parte sim, mas também dissemina e organiza o conhecimento. O volume de informação que trafega pela net, mesmo considerando o volume de informação “fragmentada” ou “de má qualidade”, ainda assim é a mídia com maior capacidade de disseminar e indexar informação que o homem já inventou. Quem está realmente interessado, acha aquilo que quer. Quem quer fazer nas coxas, esse nunca ia dar certo mesmo.

Destrói a habilidade crítica? Ou, pelo contrário, fomenta a pesquisa, a leitura, a formação de sistemas complexos de informação? A molecada hoje pode ter valores diferentes dos meus, e definitivamente diferentes dos valores do Papa, mas eles são, em média, mais críticos do que meus companheiros de ginásio. Não temos evidências de nada (mesmo se tivéssemos, religiosos são alérgicos a evidências) mas é interessante notar que essa molecada possui uma estrutura de pensamento e organização muito diferente da nossa. Eu só imagino o que vai sair daí…

Não dá a mínima para a tradição acadêmica? Isso até póde ser verdade em parte, mas vamos lembrar que ela complementa a tradição acadêmica por outras formas de pesquisa e organização, e resolve alguns problemas com relativa facilidade, se comparada à opção de manter a informação não-compartilhada e as pessoas desconectadas. Vale lembrar que a tradição acadêmica tem TUDO A VER com a disseminação do conhecimento, e não com o pseudo-elitismo intelectual de gente que acredita em cobras falantes e na partenogênese humana

É desprovida de ética? Chega a ser irônico, vindo de quem vem. Mas não dá para esperar do sujeito que reconheça que a ética é bastante relativa. A discussão da ética na Internet vai ficar para outro post.

Eu realmente não gosto desse cara.


Google na telinha

12/05/2009

Era uma vez o Google, que tinha a capacidade de ser a marca mais valiosa do planeta e ao mesmo tempo possuir ZERO de orçamento em publicidade. As regras da publicidade “tradicional” ditam que ambas as condições deveriam ser excludentes. Se você não investe em publicidade você se priva de brand awareness e não maximiza corretamente o valor da marca. Gerações inteiras de marketeiros e publicitários foram criados para agir sob este dogma.

Aí vem o Google e caga em cima. A maior empresa de publicidade do planeta historicamente confiou no boca-a-boca para virar um gigante. O mundo como nós o conhecemos chega ao fim, as trombetas do apocalipse soam, tudo o que você acredita ser verdade é falso, a Matrix termina em um Blue Screen of Death.

E essa semana, o Google se rendeu à publicidade televisiva para vender o seu navegador, o Chrome. Navegador este, aliás, que eu uso para escrever este post. Eu sou tiete do Google, e estou em sentindo uma donzela traída. Tudo bem que a Microsoft vive tomando processos por práticas anticompetitivas por conta do Internet Explorer e que acabar com a total hegemonia do IE, mesmo sendo o pior navegador do planeta, vai ser uma tarefa complicada. Mas será que não existem maneiras mais inteligentes de uma empresa 100% focada em Internet de torrar o seu rico dinheirinho?


Horkutombe

11/05/2009

Semana passada o Google teve uma crise de soluços, e, sendo eu o “técnico” de plantão no escritório, apesar de não ser essa a minha função oficial, o diálogo quie se seguiu foi mais ou menos assim:

ALGUÉM: Daniloooo, a Internet está fora do ar de novo! (êê, NET Virtua…) 

EU: Não é a Internet, é só o Google.

ALGUÉM: Google, Internet, não é tudo igual?

E… bom, É.

Tem um velho adágio da Internet que diz que a informação quer ser livre. Não é lá muito verdade por uma variedade de razões, mas para os propósitos deste post, a questão é essa aqui: a informação não quer ser livre. Ela quer ser classificada, catalogada, organizada e rotulada corretamente, pois de outra forma ela seria inútil. E aí entra outro ponto onde eu não concordo com o senso comum da Internet, que o fator definitivo da web 2.0 é a profileração a interconectividade e interatividade do conteúdo web. A capacidade de crescimento do conteúdo web é mais definida pela nossa capacidade de catalogar a informação do que de pela facilidade do processo de inclusão das informações no sistema. A informação presente no sistema, mas fora dos mecanismos de classificação (tipo, este blog na sua versão Beta) tem valor informacional próximo a ZERO, já que o acesso a informação é limitado.

Eu tinha uma web page pessoal em 1996. As mudanças nas ferramentas de inclusão de conteúdo web desde então estão mais na interface – dar uma cara bonita e user-friendly à programação html. É para isso que servem os blogs. Mas as ferramentas são mais ou menos as mesmas.

Hoje estamos nivelados mais pela capacidade de indexação do que pelo crescimento do número de bits de informações disponíveis. A evidência é que quando o Google tem um ataque epilético, o mundo pára. Uma série de atividades do meu dia-a-dia profissional DEPENDE da capacidade de busca do Google. Eu perdi a conta de quantas vezes usei o bichinho pra escrever ESTE post.

E aí a gente remete novamente ao post anterior, e ao outro sobre desinformação. Confiamos implicitamente no Pai Google, e para os reles mortais, quebra o galho. Mas quando a imprensa, nosso mecanismo anterior de validação e catalogação de informações, começa a depender do Google, não estamos jogando todas as laranjas no mesmo cesto? Quem efetivamente gera informação nova e de qualidade? O que será da civilização quando a Horkutombe, o Apocalipse Google, chegar?

Continua nos próximos capítulos…


Jornalismo e desinformação

07/05/2009

(comentando o post anterior)

Funciona (ou não) assim: jornal se diz melhor que a Internet por trazer informação mais apurada, de mais qualidade e credibilidade. Mas como parte do bolo publicitário, com informação porca ou não, invariavelmente foi parar na Internet, a pressão pelo corte de custos reduz pessoal e aumenta a demanda. Então neguinho, muitas vezes recém-saído da faculdade de jornalismo e cheirando a leite e maconha, term que fazer as coisas a toque de caixa, e vai logo pra fonte mais fácil… a Internet. E a informação qualificada vai para as picas.

Aí o cara, pra meio que falar que fez o seu trabalho, a sua pesquisa, procura no google e, achando a dita informação em pelo menos metade dos 10 primeiros resultados, acha que ela tá certa. Só que como a informação na Interner viaja por padrões poucos previsíveis, um hoax na wikipedia logo logo vai tomar dúzias e dúzias de sites que, pela própria definição do editor do jornal, não tem lá muito esmero na apuração da informação.

Moral da história: A veracidade da informação é atropelada pela viralidade da mesma. E, convenhamos, não é como se tivéssemos descoberto isso ontem, certo?


Wikipedia e a desinformação

07/05/2009

Era algo totalmente inventado, que não foi dito por Maurice Jarre, nem por ninguém. Os experimentos de ciência social sempre têm questões éticas, pelo fato de as pessoas serem usadas como cobaias. Não queria manchar ou distorcer a reputação de ninguém e, por isso, decidi divulgar uma frase que não afetaria a grandiosidade de Jarre”

Maluco inventa uma bobagem qualquer, coloca na Wikipedia, e todos os jornais do mundo copiam.  Depois querem saber pq os jornais estão acabando.


Crescimento do uso de banda larga

06/05/2009

“O acesso à internet por banda larga em casa cresceu 22% em março deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2008, chegando a 22,3 milhões de pessoas. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (6) pelo Ibope Nielsen Online.”