É preciso um inglês para entender o verdadeiro punk

20/10/2009

Especialmente se o inglês em questão for Warren Ellis.

Ellis analisa as possibilidades do sistema POD, como o Magcloud, com uma ótima análise do que significa ser uma revista:

I keep peering at it and thinking, what can I do with that? Without, of course, becoming a publisher, and having to disburse money to other people, creating for myself a nightmare of inefficiency and lost time. (The most valuable resource any writer has is time.) That said: I keep wondering. What can a one-writer magazine look like? What does a magazine do? You associate “magazine” with disposability: but on the other hand, I’m a hoarder, and magazines will live on a nearby shelf or stack for years in my office. Perhaps it’s simply a modular presentation. Perhaps it’s a tract. These things need considering.

Já sua coluna semanal, Do Anything, atinge seu climax com estilo:

A place where everything connects to the same central ocean. Where we all share the same strange air. Where unthinkable complexity becomes visible, speakable, drawable. Where we can see the paths through the jungle that others have trod, and can see where they’ve crossed, and can see what foliage has not yet been trailbroken.


A Viagem da Apollo 8 até a Galáxia de Gutenberg

20/09/2009

Um trabalho acadêmico em vídeo, feito em tempo recorde, para a disciplica de mídias sociais da pós-graduação.

A edição está péssima, o som está pior. Comentários são bem-vindos:


Por no Gráfico

07/06/2009

Nunca imaginei, mas uma das coisas mais divertidas de fazer com um blog é olhar os gráficos de visitação. Essa gororoba que não consigo atualizar ou colocar um maldito RSS, ainda assim tem alguns parcos leitores. Dando uma olhada nas vísitas das últimas semanas e fazendo um rápido Cálculo Hipotético Universal de Tendência Estatística (C.H.U.T.E.), eu diria que tenho aproximadamente 12 leitores assíduos, mais meia dúzia de náufragos ocasionais.

E eu sempre achei gráficos divertidos, mesmo não sendo um grande fã da matemática. Quando eu dava aulas de Excel tinha uma aula inteirinha sobre como fazer gráficos, e principalmente, como LER gráficos, coisa que a maioria das pessoas não sabe fazer.

Na última semana eu me deparei com dois gráficos interessantes, um feito por pessoas que sabem fazer gráficos, e outro por pessoas que não sabem fazer. Vamos começar pelo segundo.

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Experimento mental

03/06/2009

Digamos, se a grande maioria dos veículos tradicionais – impressos ou não – deixassem de existir amanhã, e cada um dos profissionais demitidos no processo começassem seus pequenos veículos de mídia independente em modelo web, ou ao menos modelos altamente dirigidos. Baixo custo operacional, altamente segmentado, em grupos pequenos e descentralizados de trabalho… Na média, essas pessoas fariam mais ou menos dinheiro no final do ano

(Se você leu isso, comente. Só dessa vez. Please?)


Os Novos Antiquados

03/06/2009

Começou com o nosso digníssimo Ministro das Comunicações, Hélio Costa, dizendo quem foi o imbecil que me elegeu para este cargo que a juventude tinha que deixar de usar a Internet para ver TV e ouvir rádio. Em seguida, disse que as pessoas deveriam usar mais máquinas datilográficas, trocar os carros por cavalos e usar sanguessugas nos hospitais. Tá, essa última parte ele não disse, mas diria se fosse coerente.

Hélio Costa, entretanto, é político, e não coerente. E como tal ele precisa puxar o saco das pessoas, e a bobagem acima obviamente foi dita num evento da – adivinha! – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão. Se algum repórter vier pra ele e pedir para explicar a abobrinha, ele provavelmente vai dizer que foi mal interpretado. A não ser que o repórter seja de TV. Ou de rádio. Enfim.

Logo depois, o Washington Post publica um artigo sobre Leis que Poderiam Salvar o Jornalismo, tópico muito bem comentado aqui. O nível de bobagem neste artigo chega a níveis ainda mais astronômicos do que as bobagens proferidas pelo nosso Ministro das Comunicações (das Comunicações, por Zeus, Júpiter e Javé! Das COMUNICAÇÕES!!!).

(Pra quem tem preguiça de ler inglês: a salvação do jornalismo é fechar a Internet e criar campos de concentração de blogueiros).

Ninguém avisou essas pessoas que o século XXI começou? Eles acham que aquele auê todo na madrugada do dia 01 de janeiro de 2000 (ou de 2001, se você for chato) foi o quê, gol do Corinthians? Estamos na Era do Capitalismo Punk. É a união do Do-It-Yourself com o livre mercado. É uma nova forma de fazer o mundo girar, de gerar riqueza, de crescer. Don’t hate the media, BE the media.

E se alguém ainda duvida que o jogo mudou, saiba que a GM subiu no telhado.


Cory Doctorow on Internet Searches

02/06/2009

Search is the beginning and the end of the internet. Before search, there was the idea of an organised, hierarchical internet, set up along the lines of the Dewey Decimal system.

É o que eu sempre falo, e sempre arrumo briga com isso: dizem por aí que o futuro da web (2.0 ou não) está no emporwement do usuário, na social media, no conteúdo criado pelo usuário. Não é.

O pulo do gato da Internet é Indexação.

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Ainda meio que nesse assunto, meu irmão vai me dar de presente o livro O Culto do Amador, do Andrew Keen, que provavelmente vai ganhar uma resenha aqui. Eu consigo concordar com muito que esse cara fala, por razões completamente diferentes das que ele tem. Vai ser uma leitura divertida.


Horkutombe, o Retorno

15/05/2009

Falei outro dia aqui sobre a Horkutombe, ou o Apocalipse Google. Agora que a crise de soluços do Google virou mundial a Revista Wired cavou algumas informações sobre o comportamento do tráfego na Internet quando o Google sai do ar

As pessoas simplesmente não conseguem se achar. O abismo olha de volta para você, e não é nada bonito.

Tenho idéias sobre isso. Eventualmente elas aparecerão aqui. BEM eventualmente, pelo jeito. :/


O Papa não é mais Pop

12/05/2009

O Para Bento Natzinger Ratzinger não está muito contente com esse papo todo de Internet. Faz sentido. Se eu tivesse sido membro da Juventude Hitlerista, e  Chefe da Inquisição, também não iria querer que as pessoas andassem por aí se informando das coisas. E, se você vende ignorância, a Internet é o pior tipo de concorrente que você pode ter: o tipo que torna o seu produto inútil.

Mas a bronca do papa, pelo menos na versão oficial, é outra. Diz o Mal Velhinho:

“O uso ilimitado de sites, por meio dos quais as pessoas têm fácil acesso a indiscriminadas fontes de informações pode chegar a ser um instrumento de crescente fragmentação. O conhecimento vem destruído, e a complexa habilidade de crítica e discernimento das tradições acadêmicas e éticas é, às vezes, descuidada”

Então, como diria um Grande Inquisidor, vamos por partes: a Internet é ruim porquê, além de me deixar com cara de bobo:

  • Fragmenta o conhecimento
  • Destrói a habilidade crítica
  • Não dá a mínima para a tradição acadêmica
  • É desprovida de ética

Fragmenta o conhecimento? Em parte sim, mas também dissemina e organiza o conhecimento. O volume de informação que trafega pela net, mesmo considerando o volume de informação “fragmentada” ou “de má qualidade”, ainda assim é a mídia com maior capacidade de disseminar e indexar informação que o homem já inventou. Quem está realmente interessado, acha aquilo que quer. Quem quer fazer nas coxas, esse nunca ia dar certo mesmo.

Destrói a habilidade crítica? Ou, pelo contrário, fomenta a pesquisa, a leitura, a formação de sistemas complexos de informação? A molecada hoje pode ter valores diferentes dos meus, e definitivamente diferentes dos valores do Papa, mas eles são, em média, mais críticos do que meus companheiros de ginásio. Não temos evidências de nada (mesmo se tivéssemos, religiosos são alérgicos a evidências) mas é interessante notar que essa molecada possui uma estrutura de pensamento e organização muito diferente da nossa. Eu só imagino o que vai sair daí…

Não dá a mínima para a tradição acadêmica? Isso até póde ser verdade em parte, mas vamos lembrar que ela complementa a tradição acadêmica por outras formas de pesquisa e organização, e resolve alguns problemas com relativa facilidade, se comparada à opção de manter a informação não-compartilhada e as pessoas desconectadas. Vale lembrar que a tradição acadêmica tem TUDO A VER com a disseminação do conhecimento, e não com o pseudo-elitismo intelectual de gente que acredita em cobras falantes e na partenogênese humana

É desprovida de ética? Chega a ser irônico, vindo de quem vem. Mas não dá para esperar do sujeito que reconheça que a ética é bastante relativa. A discussão da ética na Internet vai ficar para outro post.

Eu realmente não gosto desse cara.


Horkutombe

11/05/2009

Semana passada o Google teve uma crise de soluços, e, sendo eu o “técnico” de plantão no escritório, apesar de não ser essa a minha função oficial, o diálogo quie se seguiu foi mais ou menos assim:

ALGUÉM: Daniloooo, a Internet está fora do ar de novo! (êê, NET Virtua…) 

EU: Não é a Internet, é só o Google.

ALGUÉM: Google, Internet, não é tudo igual?

E… bom, É.

Tem um velho adágio da Internet que diz que a informação quer ser livre. Não é lá muito verdade por uma variedade de razões, mas para os propósitos deste post, a questão é essa aqui: a informação não quer ser livre. Ela quer ser classificada, catalogada, organizada e rotulada corretamente, pois de outra forma ela seria inútil. E aí entra outro ponto onde eu não concordo com o senso comum da Internet, que o fator definitivo da web 2.0 é a profileração a interconectividade e interatividade do conteúdo web. A capacidade de crescimento do conteúdo web é mais definida pela nossa capacidade de catalogar a informação do que de pela facilidade do processo de inclusão das informações no sistema. A informação presente no sistema, mas fora dos mecanismos de classificação (tipo, este blog na sua versão Beta) tem valor informacional próximo a ZERO, já que o acesso a informação é limitado.

Eu tinha uma web page pessoal em 1996. As mudanças nas ferramentas de inclusão de conteúdo web desde então estão mais na interface – dar uma cara bonita e user-friendly à programação html. É para isso que servem os blogs. Mas as ferramentas são mais ou menos as mesmas.

Hoje estamos nivelados mais pela capacidade de indexação do que pelo crescimento do número de bits de informações disponíveis. A evidência é que quando o Google tem um ataque epilético, o mundo pára. Uma série de atividades do meu dia-a-dia profissional DEPENDE da capacidade de busca do Google. Eu perdi a conta de quantas vezes usei o bichinho pra escrever ESTE post.

E aí a gente remete novamente ao post anterior, e ao outro sobre desinformação. Confiamos implicitamente no Pai Google, e para os reles mortais, quebra o galho. Mas quando a imprensa, nosso mecanismo anterior de validação e catalogação de informações, começa a depender do Google, não estamos jogando todas as laranjas no mesmo cesto? Quem efetivamente gera informação nova e de qualidade? O que será da civilização quando a Horkutombe, o Apocalipse Google, chegar?

Continua nos próximos capítulos…


Jornalismo e desinformação

07/05/2009

(comentando o post anterior)

Funciona (ou não) assim: jornal se diz melhor que a Internet por trazer informação mais apurada, de mais qualidade e credibilidade. Mas como parte do bolo publicitário, com informação porca ou não, invariavelmente foi parar na Internet, a pressão pelo corte de custos reduz pessoal e aumenta a demanda. Então neguinho, muitas vezes recém-saído da faculdade de jornalismo e cheirando a leite e maconha, term que fazer as coisas a toque de caixa, e vai logo pra fonte mais fácil… a Internet. E a informação qualificada vai para as picas.

Aí o cara, pra meio que falar que fez o seu trabalho, a sua pesquisa, procura no google e, achando a dita informação em pelo menos metade dos 10 primeiros resultados, acha que ela tá certa. Só que como a informação na Interner viaja por padrões poucos previsíveis, um hoax na wikipedia logo logo vai tomar dúzias e dúzias de sites que, pela própria definição do editor do jornal, não tem lá muito esmero na apuração da informação.

Moral da história: A veracidade da informação é atropelada pela viralidade da mesma. E, convenhamos, não é como se tivéssemos descoberto isso ontem, certo?