O Para Bento Natzinger Ratzinger não está muito contente com esse papo todo de Internet. Faz sentido. Se eu tivesse sido membro da Juventude Hitlerista, e Chefe da Inquisição, também não iria querer que as pessoas andassem por aí se informando das coisas. E, se você vende ignorância, a Internet é o pior tipo de concorrente que você pode ter: o tipo que torna o seu produto inútil.
Mas a bronca do papa, pelo menos na versão oficial, é outra. Diz o Mal Velhinho:
“O uso ilimitado de sites, por meio dos quais as pessoas têm fácil acesso a indiscriminadas fontes de informações pode chegar a ser um instrumento de crescente fragmentação. O conhecimento vem destruído, e a complexa habilidade de crítica e discernimento das tradições acadêmicas e éticas é, às vezes, descuidada”
Então, como diria um Grande Inquisidor, vamos por partes: a Internet é ruim porquê, além de me deixar com cara de bobo:
- Fragmenta o conhecimento
- Destrói a habilidade crítica
- Não dá a mínima para a tradição acadêmica
- É desprovida de ética
Fragmenta o conhecimento? Em parte sim, mas também dissemina e organiza o conhecimento. O volume de informação que trafega pela net, mesmo considerando o volume de informação “fragmentada” ou “de má qualidade”, ainda assim é a mídia com maior capacidade de disseminar e indexar informação que o homem já inventou. Quem está realmente interessado, acha aquilo que quer. Quem quer fazer nas coxas, esse nunca ia dar certo mesmo.
Destrói a habilidade crítica? Ou, pelo contrário, fomenta a pesquisa, a leitura, a formação de sistemas complexos de informação? A molecada hoje pode ter valores diferentes dos meus, e definitivamente diferentes dos valores do Papa, mas eles são, em média, mais críticos do que meus companheiros de ginásio. Não temos evidências de nada (mesmo se tivéssemos, religiosos são alérgicos a evidências) mas é interessante notar que essa molecada possui uma estrutura de pensamento e organização muito diferente da nossa. Eu só imagino o que vai sair daí…
Não dá a mínima para a tradição acadêmica? Isso até póde ser verdade em parte, mas vamos lembrar que ela complementa a tradição acadêmica por outras formas de pesquisa e organização, e resolve alguns problemas com relativa facilidade, se comparada à opção de manter a informação não-compartilhada e as pessoas desconectadas. Vale lembrar que a tradição acadêmica tem TUDO A VER com a disseminação do conhecimento, e não com o pseudo-elitismo intelectual de gente que acredita em cobras falantes e na partenogênese humana.
É desprovida de ética? Chega a ser irônico, vindo de quem vem. Mas não dá para esperar do sujeito que reconheça que a ética é bastante relativa. A discussão da ética na Internet vai ficar para outro post.
Eu realmente não gosto desse cara.