@Bucco roubou um pedaço do meu texto, e agora eu me apodero de um dos links dele:
É também uma versão resumida do motivo deste blog chamar-se “Capitalismo Punk.
Aliás, vale a pena conferir isto aqui.
O blog do Clay Shirky, eterna fonte de inspiração e cópia para este blog, tem um post sobre a situação dos jornais:
Round and round this goes, with the people committed to saving newspapers demanding to know “If the old model is broken, what will work in its place?” To which the answer is: Nothing. Nothing will work. There is no general model for newspapers to replace the one the internet just broke.
With the old economics destroyed, organizational forms perfected for industrial production have to be replaced with structures optimized for digital data. It makes increasingly less sense even to talk about a publishing industry, because the core problem publishing solves — the incredible difficulty, complexity, and expense of making something available to the public — has stopped being a problem.
Eu escrevi basicamente a mesma coisa, mas vale a pena ler o artigo todo aqui.
Uma viagem inesperada fodeu comigo. O texto de hoje fica para a semana (ou o mês?) que vem. Enquanto isso:
Jamais Cascio elabora sobre os possíveis modelos econômicos do futuro. Ele aponta três modelos possíveis, embora eu acho que existe uma etapa intermediária antes de que a gente chegue em qualquer um deles.
Eric Novello analisa o mercado de e-books, que toca no velho ponto do digital como transposição de mídia. Ainda tem muita gente que confunde a função social do livro/filme/música/whatever com o tipo de suporte, e quanto mais a gente bater nessa tecla, menos cagadas as editoras vão fazer na hora de finalmente lançar o formato no país.
Se a civilização fosse uma pessoa, Adam Smith seria Sigmund Freud.

Tudo – TUDO – na nossa sociedade é definido não pelo que temos, mas pelo que não temos. Os economistas chamam isso de Lei da Escassez: temos infinitos desejos humanos para um número finito de recursos, então criamos esse treco chamado civilização, que é uma forma de organizar as coisas onde basicamente definimos as pessoas de acordo com qual o parco recurso ela foi responsabilizada por administrar – da sua própria força de trabalho até preciosos recursos naturais.
Chamamos isso de “profissões”. Um profissional é uma pessoa responsabilizada por administrar um recurso X de modo a gerar a maior riqueza (riqueza, não dinheiro) possível.
Pegue a informação, por exemplo. Desde que inventou a escrita, o homem já sacou que a habilidade de gerar, acumular e transmitir informação é um recurso essencial para o progresso e para a sobrevivência. É um recurso importante, portanto precisamos de uma classe especial de pessoas responsável por administrar o dito cujo.
Os primeiros administradores de informação foram os escribas da antiguidade, que além do administrativo, também cuidavam das funções religiosas (e na época, magia e linguagem eram praticamente a mesma coisa). É a classe que depois se transformou nos monges copistas do ocidente. Naqueles tempos bicudos, a quantidade de recursos necessária para gerar, acumular e transmitir informação era muito grande, então limitavam-se os best-sellers a pouco mais do que a palavra final da sua divindade favorita. Aí veio Gutenberg e criou um método mais fácil de gerar, acumular e transmitir informação, o que por sua vez causou um salto tremendo nas artes, na ciência e na sociedade.
Não antes, é claro, da igreja subir nas tamancas.
Eu estava aqui escrevendo o próximo post, sobre o que acontece com o jornalismo, quando paro para ler o fórum do Warren Ellis e percebo que, novamente, o velho bastardo resumiu tudo de uma forma muito, muito simples.
Então eu ainda vou continuar escrevendo o próximo post, mas a versão resumida é esta aqui:
“The important thing about music journalism isn’t the ‘information’ — it’s the writing, the evocation, the discovery and the curation. Musicians are interesting when they’re asked interesting questions. If you just want a gig guide or a list of this week’s new releases, then, yeah, Google’s your friend. If you want to know WHY you should listen to something, or if you want to find out all about something you never heard of before, or you want to know what’s REALLY similar to the stuff you like, not what a poxy last.fm or pandora algorithm thinks… you need music journalists.”