01/10/2009
Um tempinho atrás, a AT&T decidiu-se, sabe-se lá pr qual razão (mas que não são difícies de imaginar…), bloquear o acesso de seus usuários de banda larga para o site 4chan. Em termos internéticos, é uma atitude similar a pular no trilho de um trem que está chegando em alta velocidade para fazer uma baleia branca para o maquinista. Porque 4chan é um dos lares do pseudogrupo web de anarcopunk coletivamente (?) conhecido como Anonymous. Eles deram dor de cabeça para a Igreja da Cientologia, gastrite em Rupert Murdoch e, literalmente, fizeram a Associação dos Epiléticos ter um treco.
Alguém dentro da AT&T deve ter apontado lá dentro que cutucar o 4chan era pedir para alguém implodir toda a infraestrutura web dos EUA e garantia de moleques mascarados jogando tomates podres nos carros dos funcionários da empresa, e logo logo a empresa voltou atrás com um “ops, foi mail aí, gente“.
A citação famosa de John Gilmore, de que “A Rede identifica a censura como uma falha e navega ao redor dela” virou “A rede identifica a censura como uma falha e desce o cacete nela até ela ir embora”. O caso mais famoso do Brasil foi o Cicarelligate, que não deu em nada, a moça continua aí na mídia mesmo sem dar para alguém relevante nesses últimos tempos.
Esses dias, o blog Resenha em 6 fez um post falando mal dum tal boteco São Bento. Falaram mal. Nego apareceu nos comentários dizendo ser da gerência do boteco e que ia processar geral. Comentários explodiram. Gerência do bar nega ser a gerência do bar que ameaçou processar geral, mas manda uma nota judicial mesmo assim. O Resenha 6 tira o post do ar. Comentários explodem de novo. Todo mundo odeia o bar. Blogs fazem protestos.
E a história vai morrer aí.
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Anonymous, Atualidades | Etiquetado: 4chan, anarquia, Anonymous, boteco sâo bento, Daniela Cicarelli, internet, net neutrality |
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Escrito por Danilo Valeta
04/09/2009
- Começando com uma notícia já comentada no post anterior: O novo livro do Chris Anderson sobre o modelo econômico “Freemium” chegou no Brasil. A Folha publicou uma entrevista (que não está no link!) com o cara no último dia 30, se alguém tiver aí, eu quero.
- O Chris Anderson é uma das cabeças por trás da Wired, que também publicou recentemente um ótimo artigo sobre tecnologias revolucionárias que são piores que suas predecessoras. Entram aí os netbooks, que são basicamente PCs capados, ou o MP3 e sua qualidade de som vagabunda, ou o maior exemplo de todos, o Nintendo Wii, tecnicamente uma geração atrás dos seus concorrentes e campeão absoluto de vendas. Quem trabalha com tecnologia conhece o adágio de que o hardware avança muito mais rapidamente do que o software, e o resultado é esse cenáro: hoje o foco é na interface, na usabilidade e na praticidade, e não na força bruta computacional.
- Já que falamos de mp3, sabiam que o Partido Pirata tem presença oficial no país? Só falta o cadastro no TRE…
- Com certeza, muita gente na indústria está arrancando os cabelos com a notícia acima, já que os piratas vão destruir completamente a mídia tradicional. Veja o cinema, por exemplo, um dos principais alvos dos inescrupulosos vilões da maré digital. Em 2009, em plena era do download, nossos nobres heróis alcançaram bilheteria recorde. Pelo terceiro ano CONSECUTIVO. Tadinho deles…
- Dá pra entender essa molecada? A maioria dos adolescentes, além de baixar coisas divertidas de graça e exigir hardware de menor potência, também acha o Twitter muito chato. De repente, eu me sinto velho.
- O que será que eles querem, afinal? Há quem diga que seja mais publicidade em jogos de videogame. Eu tenho lá minhas dúvidas se isso funciona.
- E falando em coisas que não funcionam, será que o modelo de assessoria de imprensa sobreviverá ao Capitalismo Punk? Eu tenho lá minhas opiniões, que ficam para um futuro post. Mas com certeza o que eu penso bate muito pouco com o que outros especialistas andam aventando.
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Atualidades, Economia da Informação, Exemplos, Jornalismo, Publicidade | Etiquetado: assessoria de imprensa, chris anderson, cinema, freeconomics, Jornalismo, mp3, nintendo wii, partido pirata, Publicidade, Twitter, wired |
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Escrito por Danilo Valeta
27/08/2009
Se isto aqui der certo, o futuro vai chegar uns quinze anos mais cedo. Fingers crossed.
“I am absolutely confident in my belief AR will become at least as important as the web has, and probably a lot more so. It will also face much the same hurdles and challenges getting established as that medium did. But, speaking as a web-developer, can we try to avoid a browser war this time?”
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Escrito por Danilo Valeta
27/08/2009
Eu estou muito ocupado!
Vá ler os links. Muitos deles merecem comentários, que vão ficar para depois.
- A segunda parte dos possíveis modelos econômicos imaginados pelo Jamais Cascio merece leitura. Aliás, o site dele é muito interessante.
- Interessante também notar que a tecnologia tornou mais difícil escolher o nome dos bebês. Todas as boas URLs estão tomadas!
- Mas se você acha que não ter a URL certa para seu pimpolho é apenas o início dos seus problemas, você tem razão. Uma escola nos EUA (sempre lá) resolveu dar um basta na situação e proibir seus alunos de fazerem sexo pelo celular. Como todos nós sabemos, uma proibição por escrito é a maneira mais rápida e segura de controlar o comportamento da molecada, certo?
- Veja por exemplo, o Pirate Bay. Funcionou com eles, né? Claro que sim. Quer dizer, eles não ousariam desafiar a indústria musical de novo com toda aquela ironia e deboche peculiares. Não senhor.
- Então, Xuxa, você já sabe o que fazer! Sua filha pode ser analfabeta, mas isso não deve ter nada a ver com o fato de você não ter a mínima educação! Manda um bilhete pra mãe do Twitter!!!
- Ou então, a Xuxa poderia ver esse vídeo – se ela souber ler (e em inglês), é claro. Cortesia do Rog.
o último link merece uma atenção especial e menos deboche: Jesús Martín-Barbero fala sobre igualdade na web. Eu destaco esse pedacinho aqui:
Não sei para onde vamos, mas em muito poucos anos a televisão não terá nada a ver com o que temos hoje. A televisão por programação horária é herdeira do rádio, que foi o primeiro meio que começou a nos organizar a vida cotidiana. Na Idade Média, o campanário era que dizia qual era a hora de levantar, de comer, de trabalhar, de dormir. A rádio foi isso.
A rádio nos foi pautando a vida cotidiana. O noticiário, a radionovela, os espaços de publicidade… Essa relação que os meios tiveram com a vida cotidiana, organizada em função do tempo, a manhã, a tarde, a noite, o fim de semana, as férias, isso vai acabar. Teremos uma oferta de conteúdos. A internet vai reconfigurar a TV imitadora da rádio, a rádio imitadora da imprensa escrita… Creio que vamos para uma mudança muito profunda, porque o que entra em crise é o papel de organização da temporalidade.
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Atualidades, Conceitos, Exemplos, Futurologia | Etiquetado: americanos burros, economia, Futurologia, jamais cascio, Jesús Martín-Barbero, Pirate Bay, xuxagate |
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Escrito por Danilo Valeta
23/08/2009
Uma viagem inesperada fodeu comigo. O texto de hoje fica para a semana (ou o mês?) que vem. Enquanto isso:
Jamais Cascio elabora sobre os possíveis modelos econômicos do futuro. Ele aponta três modelos possíveis, embora eu acho que existe uma etapa intermediária antes de que a gente chegue em qualquer um deles.
Eric Novello analisa o mercado de e-books, que toca no velho ponto do digital como transposição de mídia. Ainda tem muita gente que confunde a função social do livro/filme/música/whatever com o tipo de suporte, e quanto mais a gente bater nessa tecla, menos cagadas as editoras vão fazer na hora de finalmente lançar o formato no país.
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Escrito por Danilo Valeta
20/08/2009
Anderson acabou de lançar o seu livro sobre a economia free – ou, como ganhar dinheiro sem cobrar (por quase) nada.
Gladwell, por sua vez, fez um review do livro focado principalmente no futuro do jornalismo. Anderson rebateu.
Ambos concordam que, em um futuro onde o conteúdo de qualidade é disponibilizado “free”, o jornalismo tradicional está morto. Um acha isso uma coisa boa e vê oportunidadese novas carreiras, o outro vê fogo e enxofre.
Adivinha de que lado eu estou.
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Escrito por Danilo Valeta
17/08/2009
Eu não ia tocar nesses assuntos agora, mas como eu gosto de livros e essa coisa toda pode muito bem ter um dedo do Marcelo Torres, vamos lá.
Sustentabilidade. Palavra engraçada.
A idéia por trás do conceito é de que as empresas podem crescer e ao mesmo tempo melhorar – ou pelo menos não zoar muito – com o planeta. o “planeta” não são só as flores, os coelhinhos e as árvores. O planeta é todo o ecossistema biológico, social e econômico. Lindo, não?
O problema? Olhando pelo lado puramente pragmático, a economia não cresce. Ela incha. Como uma balão. Leia o resto deste post »
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Atualidades, Conceitos, Futurologia | Etiquetado: banco real, Conceitos, Marx, sustentabilidade |
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Escrito por Danilo Valeta
17/08/2009
A Info quer testar um iPhone 3G S. A Apple, numa atitude muito Apple de sua parte, não mandou o aparelho.
A Info apelou para sua base de leitores:
Você, dono de iPhone 3GS, gostaria de ver um teste completo com o aparelho da Apple e outros celulares touch screen de última geração nas páginas da revista INFO de setembro e do INFO Online? Então, que tal nos emprestar o seu?
Hilarity ensues.
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Atualidades, Desinformação, futuro do jornalismo, Jornalismo | Etiquetado: idéia besta, iPhone, Jornalismo, Revista Info, velha mídia |
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Escrito por Danilo Valeta
12/08/2009
É o Google. De novo.
Já tem alguns anos que a empresa – conhecida por sempre confiar na propaganda boca-a-boca e que, até recentemente, tinha um orçamento anual de US$ 0,00 para a publicidade tradicional – emplaca como uma das marcas mais valiosas do planeta. Microsoft, IBM e Apple também estão entre os 10+.
Mas o Google é um caso curioso. Do ponto de vista marquetês tradicional, o Google fez tudo errado. Eles sempre foram um tanto relapsos quanto a marcas e comunicação, preferindo deixar seus produtos falar por eles. E o produto é bom pra danar, então funciona.
Por outro lado, mesmo que você tenha um produto tão bom quanto, e for tentar o mesmo prodígio, muito provavelmente estará fadado ao fracasso. O Google não mudou as regras do jogo. O Google na verdade levou a bola embora.
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Escrito por Danilo Valeta
29/07/2009
Mais de um mês sem atualizar, e isso que era o mês de férias, aquele período do ano em que eu trabalho em coisas que não dão dinheiro.
E foi um mês muito interessante, milhões de coisas aconteceram que mereciam comentários, e eu me sentia meio Douglas Adams, apreciando o “vooosh” que os deadlines faziam quando passavam por mim. Então, vai um breve resumo do mês antes de voltar a postar de forma minimamente decente:
- Michael Jackson morreu, e por pouco não leva a Internet junto. Convenhamos, Jacko era doido e podia não ter mais nariz, mas soube como sair com estilo. E com ele se vai mais um braço da já muito leprosa indústria musical, e vale a pena entender que isso nunca mais vai se repetir.
- Logo depois da morte do Jacko, descobriu-se que uma jornalista do Tocantins estava plagiando textos da Internet e publicando no jornal com seu nome. A jornalista mesmo enfiou a cabeça na terra até o vendaval passar, o editor tirou o dele da reta, e os amigos da safada vieram com desculpas esfarradapadas. Mas a gente sabe como são as coisas, certo?
- E tudo isso bem quando o STF decidiu chutar cachorro morto, tirando o obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. As reações foram risíveis, provavelmente porque a maioria dos jornalistas nunca estudou economia para entender exatamente porque a sua profissão morreu. Mas isso eu vou detalhar no próximo post.
- Alheios a tudo isso (e a tudo o mais na realidade material, aparentemente), um bando de subcelebridades brasileiras resolveu fazer revolução de sofá no Twitter, num golpe baixo e mal-pensado de autopromoção. A coisa foi tão ruim, mas tão ruim, que os caras tomaram lição de moral do Ashton Kutcher. Sério, tomar lição de moral do Kelso? Mais loser que isso só montar banda de punk gospel depois de levar um pedala da irmã.
- Por fim, hoje eu li sobre o Digg português. E não é piada, é uma versão lusa do Digg. E é exatamente o que eu esperaria de uma versão lusa do Digg – ou seja, uma piada.
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Atualidades, Desinformação, Exemplos | Etiquetado: economia da comunicação, futuro do jornalismo, Jornalismo e desinformação, Michael Jackson, Plágio, Twitter |
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Escrito por Danilo Valeta